
"Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo, Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja esta mão vil que te afaga,
Escarra nesta boca que te beija!"
( Augusto dos Anjos)
eu diria que essa é uma das poesias mais perfeitas sobre o imperfeito...

Em alguns momentos percebo claramente minha incapacidade de ser alguém sem sentir
E acabo deitando na infelicidade do profundo
Sou somente uma desprezivel quantidade de matéria
Lutando contra a tirania desse mundo insano
E na escassez de um afago amigo entrego-me somente a mim
Leito solitário do qual rejeito carinho
E um dia talvez quem sabe possa descansar na eternidade
Na paz da qual desfrutam os anjos...